terça-feira, 24 de abril de 2018

«BAYERN»

Este couraçado da armada imperial alemã deu o seu nome a uma classe de navios, que deveria compreender 4 unidades. A saber : o navio em apreço, o «Baden», o «Sachsen» e o «Württenberg». Mas só a construção dos dois primeiros seria concretizada. O «Bayern» -feito nos estaleiros Howaldtswerke-Deutsche Werft, de Kiel- entrou em serviço em Março de 1916. E o facto mais marcante da sua vida operacional ocorreu no dia 12 de Outubro do ano seguinte, durante a Operação Albion, quando chocou com uma mina no golfo de Riga. Este navio sofreu, então, algumas avarias, que necessitaram trabalhos de estaleiro; sendo, por via de consequência, afastado dos combates da Grande Guerra. Depois do armistício, o «Bayern» tomou (como tantos outros navio da frota imperial) o rumo de Scapa Flow, onde foi afundado por elementos da sua própria guarnição. Em Setembro de 1934, uma empresa de salvados -a Metal Industries of Charlestown- procedeu à sua reemersão (para aproveitamento de materiais), mas, durante essa complicada manobra para trazer o navio a flor das águas, as suas famosas torretas da artilharia principal soltaram-se e não puderam ser recuperadas. O «Bayern» deslocava 32 000 toneladas e media 180 metros de comprimento por 30 metros de boca. O seu calado ultrapassava os 9 metros. O seu sistema propulsivo desenvolvia uma potência de 56 000 cv, força que lhe proporcionava uma velocidade máxima de 22 nós e uma autonomia de 5 000 milhas náuticas com andamento reduzido a 12 nós. Este vaso de guerra estava fortemente blindado (120 mm - 350 mm). Do seu armamento destacavam-se 8 poderosos canhões de 380 mm, 16 de 150 mm, 2 de 88 mm e 5 tubos lança-torpedos de 600 mm. A sua guarnição era composta por 1 270 homens, oficiais incluídos. Nota : a acima referida Operação Albion consistiu na ocupação alemã de um arquipélago situado ao largo da Estónia; que resultou na expulsão das forças navais russas daquela região do Báltico.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

«AUGUSTUS»

Transatlântico italiano. Foi construído, em 1927, no estaleiro naval G. Ansaldo & Cº, de Sestri Ponente, para a armadora genovesa Navigazione Generale Italiana. Era gémeo do «Roma», construido no ano precedente. O «Augustus» apresentava uma arqueação bruta de 32 652 toneladas e media 232,90 metros de comprimento por 27,16 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por máquinas diesel, desenvolvendo uma potência de 28 000 ihp. Força que lhe permitia navegar à velocidade de cruzeiro de 20 nós. Dispunha de 4 hélices. Este paquete foi, no seu tempo, o maior navio do mundo do seu tipo a usar motores diesel. Podia transportar 1 675 passageiros na sua versão civil e 2 116 combatentes enquanto transporte de tropas; função que desempenhou a partir de 1939. O «Augustus», que, antes da eclosão do conflito, navegara nas linhas Génova-Nápoles-Buenos Aires e posteriormente entre Génova e Nova Iorque, foi escolhido pelas autoridades fascistas -tal como o «Roma»- para ser transformado em porta-aviões, plano que nunca chegou a concretizar-se. E foi, nesse entretanto, sucessivamente nomeado 'Falco» e «Sparviero». Recuperado pelos alemães, já depois o desembarque dos Aliados em Itália, este navio foi voluntariamente afundado pelos nazis em frente do porto de Génova, para dificultar o seu acesso ao inimigo. Depois do armistício, em 1946, o navio foi reemergido e vendido, como sucata, para futuro desmantelamento. O que ocorreu, por completo, em 1951.

domingo, 22 de abril de 2018

«REINA MARÍA LUÍSA»

Navio de linha espanhol dos séculos XVIII e XIX. Pertencente à classe 'Santa Ana', foi construído (segundo planos do arquitecto naval Romero Landa) nos estaleiros de Esteiro (Ferrol, Galiza) em 1791. Deslocava 2 308 toneladas e media 59,60 metros de comprimento por 15,50 metros de boca. O seu calado era de 7,40 metros. O «Reina María Luísa» estava armado com 112 bocas de fogo (de quatro calibres distintos) distribuídas por 3 conveses. Navegou até dia 10 de Dezembro de 1815, ano em que se afundou -em consequência de uma violente tempestade- na enseada de Bougie, no norte de África. Isso, após ter derivado durante vários dias, quando navegava de Mahón para Cartagena. Alguns dos seus náufragos foram recolhidos por navios amigos e os restantes foram retidos pelo 'bey' de Argel; que só os libertou após as negociações que levaram à restituição de um dos seus bergantins e respectiva tripulação, que haviam sidos apresados em águas espanholas. A perda do «Reina María Luísa» deu lugar ao julgamento em Tribunal Militar do seu comandante, capitão de fragata Vicente de Lama Montes, que foi ilibado de responsabilidades. De entre os acontecimentos marcantes da história do «Reina María Luísa», há que salientar o seguinte : em 1793 (sendo navio-almirante da esquadra do tenente-general Lángara) participou -com a esquadra britânica do almirante Samuel Hood- na evacuação dos monárquicos franceses acossados pelos revolucionários em Toulon. En 1795, conheceu o baptismo de fogo, num combate travado contra a fragata francesa «Ephigénie», que capturou. Em 1809 viu o seu nome ser alterado para «Fernando VII». Este navio operou com uma guarnição superior a 1 000 homens.

«ROTHESAY BAY»

Veleiro (barca) de bandeira britânica, construído no estaleiro Birrell Stenhouse & Company, de Dumbarton (Reino Unido). Foi lançado à água no dia 26 de Setembro de 1877. O «Rothesay Bay» tinha casco de aço e arvorava 3 mastros. Apresentava-se como um navio de 775 toneladas de arqueação bruta, medindo 57 metros de comprimento por 9,50 metros de boca. O seu primeiro proprietário foi a casa armadora Hatfield Cameron & Cº, que o registou na capitania do porto de Glásgua. Destinado ao transporte de carga geral, este veleiro foi colocado nas ligações comerciais com a Austrália e a Nova Zelândia. Para onde realizou inúmeras viagens. Em 1909, o navio foi vendido a um armador norueguês (A. J. Freberg, de Sandefjord), que lhe deu o nome de «Activ». Que usou até 1914, ano em que o veleiro recuperou o seu nome original, na sequência de nova venda para Inglaterra. Três anos mais tarde, em 1917, esta barca foi parar às mãos da empresa Australian Ship Activ Ltd. (gerida por Charles Lundin e filhos), que a levou para a ilha-continente da Oceania. Onde estes seus novos donos acabariam por desfazer-se do velho navio; que, já noutras mãos, acabou por ser desarvorado e transformado num simples batelão. Entre 1921 e 1922 o seu casco foi parar à Nova Zelândia -aos portos de Wellington e de Aukland- onde ele foi usado como armazém flutuante de carvão. A carcaça inutilizada do outrora elegante «Rothesay Bay» acabou por ser desmantelada muitos anos depois -em 1936- num estaleiro de Orakei Beach, na ilha de Rangitoto.

«ABDA»

Anteriormente denominado «Koning Wilhem I», este navio, que hasteou bandeira dos Países-Baixos durante quinze anos, foi construído (em 1898) no estaleiro Royal Schelde, de Flessingen, para a companhia de navegação N. V. Stoomvaart Maats Nederland, com sede em Amesterdão. Adquirido pela Compagnie de Navigation Marocaine et Armenienne-Paquet (de Marselha), recebeu o novo nome de «Abda» e foi colocado numa linha rápida e directa que ligava a mais populosa cidade do sul de França a Marrocos. Na qual este paquete se manteve até 1915, ano em que -por causa da Grande Guerra- foi requisitado e transformado em navio auxiliar da armada gaulesa e usado como transporte de tropas. Nesse tempo, o navio em apreço apresentava as seguintes características : 4 332 toneladas de arqueação bruta, 116,40 metros de comprimento e 13,70 metros de boca. A sua propulsão era garantida por 1 máquina a vapor de quádrupla expansão, que lhe imprimia uma velocidade de cruzeiro de 14 nós. Podia transportar 944 passageiros em quatro classes distintas. Número que aumentou substancialmente na sua verão tropeira. Regressou à sua actividade civil no decorrer do ano de 1917. Em Setembro de 1931, o «Abda» zarpou de Marselha pela última vez. E, depois de um curto espaço de tempo passado no estaleiro de La Seyne-sur-Mer -onde lhe foram retiradas algumas peças ainda aproveitáveis, foi levado para Génova (no início de 1932), onde se procedeu ao seu desmantelamento. O «Abda» foi o navio em que -a 28 de Agosto de 1928- embarcou o famoso chefe rebelde Abd el-Krim (protagonista da guerra do Rif, contra franceses e espamhóis), para ser conduzido ao seu exílio forçado na ilha da Reunião. De onde esse herói do mundo árabe logrou evadir-se, após 22 anos de detenção.

sábado, 21 de abril de 2018

«BUONI AMICI»

Veleiro italiano construído, em 1885, pelo estaleiro de G. B. Guastavino, de Savona, Itália. Hasteava bandeira desse país e navegava (com carga diversa) no Mediterrâneo e costas da Europa atlântica, por conta do armador F. Cassini, de Porto Maurizio. Estava registado na capitania de Viarreggio. O «Buoni Amici» tinha casco em madeira, arvorava 3 mastros (aparelhados em lugre) e apresentava uma arqueação bruta de 235 toneladas. Media 31,55 metros de comprimento fora a fora por 7,82 metros de boca por 4,10 metros de pontal. A sua tripulação era constituída por 10 homens. O «Buoni Amici» foi afundado pelo submarino da armada imperial alemã «U-22» (então comandado pelo subtenente Heinrich Hashagen) ao largo da costa norte de Portugal, em data de 20 de Agosto de 1918. A equipagem do pequeno navio foi, como era hábito, intimada a abandoná-lo, antes deste ser destruído -provavelmente a tiros de canhão- pelo inimigo. O mestre do navio, Giuseppe Foggini (cujo veleiro se dirigia de Pasajes para Málaga) aportou a Viana do Castelo durante a tarde do fatídico dia e fez um relatório completo dos acontecimentos às autoridades marítimas locais. Esse relato seria confirmado posteriormente, quando se teve acesso ao diário de bordo do submersível germânico implicado nesse acto de guerra. Nota : a imagem anexada não reproduz o navio em apreço, mas uma embarcação do seu tipo.

«YONGALA»


Vapor de bandeira australiana, lançado à água em 29 de Abril de 1903, pelos estaleiros britânicos da empresa Armstrong Whitworth & Cº, de Newcastle-upon-Tyne. Foi construído na sequência de uma encomenda feita pela casa armadora Adelaide Steamship Company; que colocou este navio de transporte de passageiros na sua linha Adelaide-Melbourne-Sidney-Brisbane, prolongada, no inverno, até Cairns. Em 1906, o «Yongala» foi o primeiro navio de passageiros a navegar de Brisbane a Fremantle (porto da Austrália Ocidental) numa ligação directa de 5 000 quilómetros. Tratava-se de um pequeno paquete com 3 664 toneladas de arqueação bruta, que media 107 metros de comprimento. Estava equipado com 1 máquina de tripla expansão, cuja potência lhe garantia uma velocidade de cruzeiro de 15 nós. Da sua tripulação, faziam parte 72 membros. Este navio prestou grandes serviços na sua ligação entre os portos da Austrália, num tempo em que os transportes terrestres eram escassos e de qualidade duvidosa. O «Yongala» perdeu-se no dia 23 de Março de 1911, por não ter podido resistir a um violento ciclone que o assaltou durante uma viagem que efectuava entre Melbournr e Cairns; e depois de ter feito escalas em Brisbane e Mackay. O naufrágio ocorreu ao largo do cabo Bowling Green, na costa do Queensland. No desastre morreram todos os ocupantes do «Yongala» (tripulantes e passageiros), ou seja 122 pessoas. Cujos corpos nunca seriam devolvidos à terra pelo mar. Os restos do navio só seriam encontrados em 1958. E começaram, desde logo, a ser ponto de encontro de muitos mergulhadores desportivos locais e estrangeiros. Alguns despojos do navio foram entregues ao Museu Marítimo de Townsville, que os expõe nas suas salas.