domingo, 20 de agosto de 2017

«SAN DIEGO»


Galeão de Manilha. Quer dizer que este, o «San Diego»,era um navio espanhol, daqueles que, nos séculos XVI e XVII, asseguravam e mantinham abertas as ligações comerciais entre as Filipinas e a costa ocidental do México. De onde as mercadorias eram, depois, levadas (por meios terrestres) para a contracosta e, dali, transferidas para Espanha. Deste galeão espanhol não se sabe grande coisa, a não ser que estava armado com 14 canhões e que a sua tripulação andava à roda de 400 membros. Conhece-se, também, qual foi o seu fim : foi afundado no dia 10 de Dezembro do ano de 1600, na sequência de um ataque perpetrado por uma frota de guerra batava constituída pelos navios «Eendracht», «Hope» e «Mauritius». comandada pelo corsário Olivier van Noort; que pretendia apoderar-se do rico carregamento do navio ibérico e traçara planos para conquistar a própria cidade de Manilha. Os desígnios dos holandeses (no referente à conquista da capital filipina) goraram-se, mas o «San Diego» saiu derrotado do confronto e soçobrou em águas do Índico com as suas riquezas. No naufrágio pereceu 3/4 da sua tripulação; mas salvaram-se o vice-governador e comandante do navio Don Antonio de Morga Sánchez Garay para além de um cento de outros membros da guarnição. Os restos do galeão «San Diego» foram achados em Abril de 1992 pelo arqueólogo subaquático Frank Goddio, na baía de Manilha, a 52 metros de profundidade. Deles foram retirados uns 6 000 objectos (moedas, jóias, porcelanas chinesas da dinastia Ming, armas individuais e os canhões), sendo que 70% deles foram parar ao Museu Naval de Madrid (onde podem ser admirados) e os 30% restantes foram confiados ao Museu Nacional das Filipinas. No sítio do afundamento do galeão ficaram, 'apenas', os destroços sem valor comercial ou histórico do «San Diego» e as macabras ossadas de 300 marinheiros e soldados que pereceram na peleja travada contra os Holandeses... Nota : a imagem anexada não representa o navio em apreço, mas um galeão do seu tipo e do seu tempo.

«JOÃO COSTA»

Navio-motor com casco em madeira, que pertenceu à frota bacalhoeira da Sociedade de Pesca Luso-Brasileira, Lda., da Figueira da Foz. Foi construído no ano de 1945 nos Estaleiros Navais do Mondego, na Murraceira (junto à Figueira) por uma equipa  de artífices colocados sob a supervisão de mestre Benjamim Bolais Mónica. Apresentava 773 toneladas de arqueação bruta e media 47,50 metros de comprimento por 10,40 metros de boca por 5,50 metros de pontal. Este navio estava equipado com 1 máquina desenvolvendo uma potência de 600 hp. Tinha uma tripulação de mais de 70 homens, entre oficiais, marinheiros e pescadores; procedendo estes últimos à captura do pescado à linha, com o auxílio de dóris. Concebido para a pesca longínqua, o «João Costa» frequentou -até 1952- os Grandes Bancos da Terra Nova e da Gronelândia. Mas, naquele ano, acabada a campanha e quando já regressava a Portugal com 11 000 quintais de bacalhau salgado, o navio foi destruído por várias explosões; que ocorreram na casa das máquinas por causa, ao que se apurou, de um curto circuito no seu sistema eléctrico. E, em consequência disso, o «João Costa» afundou-se (numa posição calculada em 60 milhas náuticas a norte do arquipélago dos Açores) no dia 23 de Setembro. Por prudência, todos os homens de bordo já haviam tomado lugar a bordo dos dóris, quando se deu o derradeiro e fatal estoiro; que provocou o soçobro do bacalhoeiro. Distribuídos por vários botes, os tripulantes do desditoso navio andaram à deriva no oceano Atlântico durante 6 dias, sem mantimentos e sem água potável. Acabaram por ser resgatados desnutridos, sequiosos e sofrendo do frio -mas com vida- por três navios estrangeiros : pelo «Henriette Schulte», de bandeira federal alemã, e pelos norte-americanos «Compass» e «Steel Executive»; que recolheram, respectivamente, 27, 12 e  35 homens. Que, dos Açores e de Lagos, acabaram de voltar aos seus lares, com uma dramática aventura para contar... Este navio-motor era 'sister ship' do «Capitão Ferreira»; que foi construído no mesmo ano e no mesmo estaleiro.

sábado, 19 de agosto de 2017

«ATLANTIC»

Navio de passageiros britânico, que pertenceu à frota da companhia White Star Line. Era um misto (vela/vapor) construído em 1870 pelos estaleiros Harland & Wolff, de Belfast, no Reino Unido. Mas só foi colocado no serviço transatlântico em Junho do ano seguinte. A sua arqueação bruta era de 3 707 toneladas e as suas dimensões as seguintes : 128,40 metros de comprimento, por 12,40 metros de boca. Estava equipado com 4 mastros (aparelhados em barca) e com 1 máquina a vapor de 600 cv acoplada a um veio. Conjunto propulsivo que lhe permitia navegar à velocidade de 14,5 nós. Durante dois anos, o «Atlantic» e os seus gémeos ofereceram à clientela -de 1ª classe- da sua companhia um conforto até então inédito na carreira Europa Nova Iorque; que, entre outros luxos, dispunha de cabines iluminadas por candeeiros a petróleo, em vez das tradicionais velas de cera. Disso beneficiavam, pois, os 166 passageiros privilegiados do navio; que podia transportar mais 1 000 passageiros de porão, que viajavam em condições promíscuas. A 20 de Março de 1873, o «Atlantic» zarpou de Liverpool para efectuar aquela que seria a sua 19ª travessia, Cerca de mil pessoas haviam tomado lugar a bordo. O oceano foi atravessado sem incidentes, salvo o facto de se ter efectuado um desvio para Halifax, onde se pretendia carregar carvão. E, no dia 1º de Abril, envolvido numa inesperada tempestade, agravada pela falta de visibilidade provocada por espesso nevoeiro, o navio foi chocar com o Marr's Head, um rochedo da ilha de Meagher; já em águas canadianas da Nova Escócia. Eram 2 horas da manhã e gerou-se o pânico entre os passageiros e os membros da tripulação. Embora a terra firme se situasse a, apenas, 50 metros de distância, ocorreu uma catástrofe; que vitimou centenas de pessoas. Todas as mulheres viajando a bordo do «Atlantic» (que eram 156) pereceram no naufrágio e das 189 crianças presentes, só uma delas sobreviveu. Estima-se que mais de 500 pessoas morreram no afundamento do navio e o seu capitão foi acusado, em tribunal, de conduta negligente perante a situação. O que resta da carcaça do infortunado navio repousa a 25 metros de profundidade e vários objectos nela recuperados estão expostas no museu marítimo de Halifax e num parque dedicado à memória das vítimas deste abominável desastre...

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

«SHAMROCK III»


O navio «Shamrock III» foi um arrastão de pesca de bandeira francesa, usado durante cerca de 30 anos pelos Établissements Ledun, de Fécamp, na pesca longínqua. Captuou bacalhau, em regime de quase exclusividade, nas águas da Terra Nova e de Saint Pierre e Miquelon; onde foi um dos derradeiros navios do seu tipo a operar. Pescado que era salgado a bordo, pelo facto do «Shamrock III» ainda não estar equipado com instalações de congelação. Este bacalhoeiro foi construído, em 1956, no estaleiro Beliard & Crighton, de Ostende (Bélgica). Apresentava 948 toneladas de arqueação bruta e media 70,85 metros de comprimento (fora a fora) por 10,85 metros de boca. A sua única máquina propulsiva desenvolvia uma potência de 1 103 kw. Foi matriculado na Normandia, no já mencionado porto de Fécamp com os registos sucessivos de F.1146 e de FC.249578. Foi desmantelado por uma empresa de Bruges (Bélgica) no ano de 1982, para cujo estaleiro este arrastão ainda se deslocou pelos seus próprios meios. A sua celebridade (reconhecida, sobretudo, nos meios piscatórios de França) adveio-lhe por vários motivos : pela sua longevidade (como já foi referido), por ter sido escolhido para ilustrar um selo postal de Saint Pierre e Miquelon (ver topo), por ter participado no filme «Le Crabe-Tambour», realizado por Pierre Schoendoerffer e por ter sido citado no livro «Le Grand Métier», da autoria de Jean Récher, que foi seu piloto durante várias campanhas de pesca longínqua.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

«ROYAL EDWARD»

Paquete britânico que pertenceu, sucessivamente, às frotas das companhias Egyptian Mail Steamship (de 1907-1910, com o nome de «Cairo»),  e Northern Steamship (a partir de 1910, subsidiária da Canadian Northern Railway). Quando eclodiu a Grande Guerra este navio foi requisitado pelo almirantado, para o serviço de transporte de tropas. A sua construção foi da responsabilidade dos estaleiros Failfield Shipbuildind & Engineering Cº, de Govam (Escócia), que o lançaram ao mar em Julho de 1907. Apresentava-se como um navio de 11 117 toneladas de arqueação bruta, medindo 160,30 metros de comprimento por 18,40 metros de boca . A sua propulsão era assegurada por um sistema de turbinas a vapor acopladas a 3 veios, que, obviamente, movimentavam 3 hélices. Podia atingir uma velocidade de 19 nós. Enquanto transporte civil foi concebido para receber 1 114 passageiros (344 dos quais em 1ª classe) e, como tropeiro, cerca de 1 400 militares. Começou (sem sucesso comercial) na linha Marselha-Alexandria e, mais tarde, já sob as cores da companhia canadiana, foi para o Atlântico norte, assegurando ligações do Reino Unido com Montreal e Quebeque. O seu primeiro serviço como transporte militar ocorreu logo no início do conflito e o derradeiro consistiu na transferência de um contingente canadiano composto por 1 367 homens (oficiais incluídos), que deveria reforçar alguns dos efectivos britânicos a combater em Gallipoli, no Levante. O «Royal Edward» zarpou de Avonmouth a 28 de Julho de 1915 e, na manhã de 13 de Agosto chegou (depois de ter feito uma escala no porto egípcio de Alexandria) ao sítio -entre a Grécia e a Turquia- onde o esperava o submarino tudesco «UB-14»; que o alvejou com dois dos seus torpedos. O «Royal Edward», que navegava sem escolta, explodiu e afundou-se, pela popa, em apenas 6 minutos. Os primeiros socorros foram dispensados aos náufragos pelo navio-hospital «Soudan» (que se cruzara pouco antes com o transporte e fora poupado pelo submarino alemão), que conseguiu resgatar 440 homens em seis horas. Dois 'destroyers' franceses e alguns barcos de pesca locais salvaram mais 221 outras pessoas. Na hora de estabelecer o sinistro balanço do afundamento do «Royal Edward» deu-se pela falta de 864 homens (o que significa que o navio levava mais gente do que à sua partida do Canadá); isso segundo as contas feitas por uma das fontes mais credíveis.

«JUNON»

Submarino da marinha de guerra francesa pertencente ao tipo 'Standard Amirauté T2 Minerve'. Foi construído nos estaleiros Augustin Normand do Havre (ACH) em 1935 e acrescentado, oficialmente, à lista de unidades da armada gaulesa em 27 de Setembro de 1937. Deslocava 856 toneladas (em imersão) e media 68,10 metros de comprimento por 5,60 metros de boca De propulsão clássica, estava equipado com 2 máquinas diesel de 900 cv de potência unitária, para a navegação à superfície, e com 2 motores eléctricos desenvolvendo, cada um deles, uma força de 615 cv, utilizados em configuração de mergulho. O «Junon» estava armado com 1 canhão de convés de 75 mm, com 3 metralhadoras e com 6 tubos lança-torpedos de 550 mm. Quando deflagrou a 2ª Guerra Mundial, estava destacado na base militar de Oran (Argélia), passando depois para Casablanca e, posteriormente, para Cherburgo. Foi deste porto de guerra metropolitano, que, em Julho de 1940, ele foi rebocado para Plymouth, onde foi remetido às Forças Navais da França Livre, que se bateram contra a Alemanha nazi sob a égide do general De Gaulle. A sua grande acção durante o segundo conflito generalizado ocorreu em 1942 durante a campanha  da Noruega. Na qual o «Junon» -sob o comando do capitão Jean-Marie Querville, futuro almirante- se viu implicado numa audaciosa missão interarmas. Que envolveu membros da sua guarnição e resistentes noruegueses. Que receberam ordens para desembarcar (com o material adequado) no Glomfjord e para ali procederem à sabotagem da central que produzia a 'água pesada' que deveria servir ao fabrico da futura (e nunca realizada) bomba atómica dos hitlerianos. A operação decorreu sob grande tensão, devida às execráveis condições do tempo e à vigilância apertada das tropas alemãs. A evacuação de 2 noruegueses e de 2 franceses implicados na operação, não pôde efectuar-se de imediato, pelo facto da vigilância do inimigo se tornas muito perigosa. Escondidos e protegidos pela população local, estes homens permaneceram ali durante 4 longos meses e só seriam reembarcados pelo «Junon» no decorrer de uma outra rocambolesca operação. Avisados por rádio da volta do submarino francês, estes desceram uma colina -em esquis e a toda velocidade- embarcando no submersível, que emergiu na hora H e os recolheu rapidamente, antes de desaparecer nas águas escuras e profundas da Noruega. O «Junon» ainda voltou àquelas paragens, para nova missão secreta, em 1943. Depois da guerra, esta unidade serviu algum tempo como escola de escuta e como navio de instrução de marinheiros. Foi desmantelado em 1960.

«CAPELO»


Esta lancha-canhoneira da Armada Portuguesa fazia parte de uma série de navios ligeiros de 40 toneladas de deslocamento construídos em Inglaterra -nos estaleiros Yarrow- em finais do século XIX. As outras eram a «Ivens», a «Lacerda» e a «Serpa Pinto». A «Capelo» foi realizada em 1894 e terminou a sua actividade operacional no ano de 1908. Media 26,50 metros de longitude por 5,50 metros de boca. Concebida para operar em rios africanos submetidos ao regime sazonal de águas baixas, o seu calado era mínimo, não excedendo 0,50 metro. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas a vapor (horizontais) de alta pressão, desenvolvendo uma potência unitária de 36 hp; que lhe permitiam navegar à velocidade máxima de 8 nós. Dispunha de uma roda de pás à popa. Do seu armamento constavam : 2 peças de 47 mm e 2 canhões-revólver de 11 mm, para além das armas individuais dos atiradores de bordo. A lancha «Capelo» (e similares) tinha uma guarnição de 21 homens, entre oficiais, sargentos, praças e pessoal inferiormente qualificado. Foi destacada para servir no sul de Moçambique e esteve nomeadamente no rio Inharrime, que banha a província de Inhambane. Nela viajou, em 1895, o major Mouzinho de Albuquerque (que percorreu o Limpopo até à junção com o Changane) durante a campanha organizada contra os Vátuas do régulo Gungunhana; que foi capturado em Chaimite.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

«SANTA ROSA DE LIMA»


Também conhecido pelo sobrenome de «Dragón», este navio espanhol de 3ª classe (uma fragata) estava armado com 64 canhões. Foi construído, em 1737, nos arsenais de Havana, em Cuba, e esteve operacional nas esquadras do país vizinho até 1741. Pouco se conhece sobre a sua curta carreira na marinha de guerra espanhola, sabendo-se, no entanto que, em 1738 (com um ano de vida) foi colocado sob as ordens do capitão-de-fragata Francisco José de Ovando y Solís e incorporado na esquadra do tenente-general D. Blas de Lezo, que então estacionava em Cartagena de Indias, porto atlântico da actual República da Colômbia. Em 1741, este navio e a sua guarnição receberam instruções para capturar um corsário inglês, que assolava as costas da América espanhola; missão que foi cumprida com sucesso. O «Santa Rosa de Lima» (assim batizado em honra da primeira santa da América latina) ainda se encontrava em Cartagena de Índias quando essa praça fortificada foi atacada, em 1741, pela poderosa frota britânica do almirante Edward Vernon. Na urgência, o também chamado «Dragón» foi voluntariamente afundado pela sua guarnição às portas do porto militar, para impossibilitar a entrada dos navios inimigos. Nota : a ilustração anexada não mostra o «Santa Rosa de Lima», mas um veleiro espanhol do seu tempo e da sua categoria.

«TEJO»

Contratorpedeiro da Armada Portuguesa. Lançado à água em 1904 pelo Arsenal da Marinha (Lisboa), o «Tejo» foi o primeiro navio do seu tipo a ser construído em Portugal. A sua realização enquadrou-se num plano de reequipamento da nossa marinha militar, que ocorreu ainda no reinado de D. Carlos I. Era um navio polivalente, que podia operar, indiferentemente, como canhoneira, torpedeiro ou contratorpedeiro. Daí ter sido classificado, no início da sua vida activa, como 'canhoneira-torpedeira'. Este navio, que só terminaria os testes de mar em 1906, começou por usar a bandeira azul e branca da monarquia, só passando obviamente à verde-rubra depois da implantação da República; passou, desde logo a ostentar à proa a menção NRP «Tejo». Assim como o indicativo T. Em 1915, o navio entrou no estaleiro para sofrer alterações e saiu da doca seca em 1917 completamente renovado (com silhueta modernizada) e a merecer plenamente a classificação de contratorpedeiro. É evidente que, nessas circunstâncias, o «Tejo» não teve papel participativo na Grande Guerra. Mas, depois da já referida modernização, bateu um recorde de velocidade, que fez dele o navio mais rápido da nossa Armada. O «Tejo» deslocava 536 toneladas e media 70 metros de comprimento por 6,96 metros de boca e por 3,10 metros de calado. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas TE de 7 000 hp, força  que lhe permitia navegar à velocidade máxima de 27 nós. Este navio estava armado, depois da renovação de 1917, com 1 canhão de 100 mm, 1 de 76 mm, 4 peças de 47 mm e com 2 tubos lança-torpedos. A sua guarnição era composta por 94 homens. O «Tejo» foi desmobilizado em 1927 e foi, depois disso, desmantelado. Notas : a ilustração anexada mostra o navio depois da sua modernização; a não confundir este «Tejo», com dois outros navios de nome idêntico, que serviram (posteriormente) na Armada Portuguesa.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

«ADMIRAL NAKHIMOV»

Paquete de bandeira soviética, que se chamou primitivamente «Berlin III», quando hasteou pavilhão alemão. Construído em 1925 pelos estaleiros Vulkan, de Bremen, pertenceu à companhia Norddeutscher Lloyd, que o colocou na sua linha da América do norte, que ligava os portos de Bremen e Nova Iorque, com escalas em Southampton e Cherburgo. Depois de ter rebentado a 2ª Guerra Mundia, foi retirado do serviço transatlântico e, depois de importante restauro, passou a servir o estado hitleriano enquanto navio de cruzeiros da 'Kraft Durch Freude' (Força pela Alegria) e, posteriormente, como navio-hospital. Nesta sua última versão, o «Berlin III» podia acolher 400 pacientes, para além das equipas médicas e, naturalmente, da sua tripulação. Operou, essencialmente, em águas do norte da Europa, onde também participou em operações de repatriamento de militares acossados pelo Exército Vermelho na frente de leste. Em 1945, depois de ter chocado com duas minas, foi abandonado numa praia próxima de Kiel. Capturado pelos russos, o navio foi restaurado (em 1949) e colocado à disposição da marinha mercante moscovita, que o integrou na frota do mar Negro. Foi então que recebeu o nome de «Admiral Nakhimov», um dos heróis russos da Guerra da Crimeia. Esteve implicado (no início dos anos 60) no transporte de armamento para Cuba, operação que envolveu vários navios de bandeira vermelha e provocou a famosa crise dos mísseis com a administração Kennedy. Mais tarde, especializou-se nos cruzeiros turísticos no mar Negro, fazendo o trajecto Odessa-Batumi e transportando -em cada uma das suas viagens- uma média de mil passageiros. Teve um fim trágico, quando, a 31 de Agosto de 1986, navegando entre Novorossiisk e Sotchi, colidiu com o cargueiro, também ele soviético, «Piotr Vasev»; que chegava à URSS com os porões cheios de cereal importado do Canadá. O choque (cuja responsabilidade foi imputada ao capitão do cargueiro) foi medonho e provocou no casco do paquete um rombo de 84 m2; por onde a água entrou e acabou por invadir a casa das máquinas. Centenas de passageiros (que eram 888 a bordo) e alguns membros de equipagem (que eram à volta de 350) ao verem o navio virar-se e soçobrar -o que aconteceu em apenas 7 minutos- atiraram-se ao mar, que rapidamente, se cobrira de combustível. Apesar da chegada célere de socorros (64 embarcações e 20 helicópteros), não foi possível salvar 423 pessoas, das quais 64 eram membros da tripulação. O «Admiral Nakhimov» apresentava 15 286 toneladas de arqueação bruta (depois dos trabalhos de restauro executados pelos soviéticos) e media 174 metros de comprimento por 21 metros de boca. A sua velocidade máxima era de 16 nós. Quando passou sob a autoridade de Moscovo, este navio foi integrado na frota (estatal) da Companhia de Navios do Mar Negro.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

«TEGETTHOFF»


O «TegetthofF» foi um couraçado do tipo 'Dreadnought' da armada Austro-Húngara. Foi realizado, em 1913 pelos estaleiros S.T.T., de Trieste e incorporado no dia 14 de Julho desse mesmo ano. Apresentava-se como um navio com 20 000 toneladas de deslocamento, medindo 152 metros de comprimento por 27,90 metros de boca. Fortemente blindado, a sua couraça podia atingir a espessura de 279 mm nos pontos mais sensíveis do navio : cinta, ponte de comando, torretas, etc. Do seu armamento principal faziam parte 12 canhões de 305 mm, 12 de 150 mm, 18 de 70 mm e 4 tubos lança-torpedos de 533 mm. As suas máquinas (equipadas com caldeiras Yarrow e turbinas a vapor) disponibilizavam uma potência de 27 000 cv, que lhe autorizavam uma velocidade máxima de 20,4 nós e uma autonomia de 4 200 milhas náuticas, com andamento limitado a 10 nós. O «Teggetthoff» tinha uma guarnição de 1 087 homens. O nome que lhe foi dado homenageava um almirante do século XIX, que derrotou os italianos na batalha naval de Lissa. A sua participação na Grande Guerra foi insignificante (devido ao excesso de prudência da armada imperial) e, depois de terminado o conflito, o «Tegetthoff» foi entregue, em Pola, às forças navais italianas como presa de guerra; forças navais que nunca o utilizaram (já que havia atingido um elevado grau de vetustez) e o mandaram para a sucata. Um dos seus canhões sobreviveu ao navio e foi integrado num Monumento aos Marinheiros, erigido na cidade de Brindisi. E o sino de bordo foi oferecido, em 1942,  por Benito Mussolini, à equipagem do cruzador nazi «Prince Eugen». Que, deveria ter-se chamado «Tegetthoff».

«REGAZONA»


A nau «Regazona» foi o maior de todos os navios que integraram a Invencível Armada. Nau que veio afundar-se, na sequência de uma tempestade, ocorrida em 8 de Dezembro de 1588 na ria do Ferrol (Galiza); depois de ter galhardamente afrontado os ingleses na batalha naval de Gravelines (8 de Agosto). Na qual participou na condição de capitânia da Frota do Levante, superiormente comandada por Martín Jiménez de Bertendona. Segundo informações (nem todas coincidentes), a «Regazona» deslocava à volta de 1 250 toneladas e media 36 metros de comprimento. Estava armada com 30 canhões de maior calibre e com várias peças de somenos importância. Da guarnição desta nau, faziam parte 80 marinheiros (enquadrados pelos respectivos oficiais) e 291 soldados. O seu nome faz referência ao seu proprietário, o veneziano Jacome Regazona, à qual terá sido fretada -pelo rei Filipe II- para participar na campanha contra a Inglaterra isabelina. Outras curiosidades à volta deste navio : os canhões da «Regazona» foram retirados do navio naufragado, indo reforçar as defesas da Corunha; onde foram fundamentais para rechaçar os ataques de Francis Drake em 1589. A batalha de Gravelines ainda hoje é apregoada pelos Ingleses como uma grande vitória da sua marinha. Pura propaganda, já que nenhum dos navios espanhóis contra os quais eles se bateram foi destruído ou capturado. A maqueta que ilustra este texto faz parte das colecções do Museu Naval de Madrid.

«LYDIA»


O «Lydia» foi um transporte de passageiros que, durante muito tempo, serviu numa linha regular entre Southampton e algumas ilhas do 'channel'. Foi construído, em 1890, num estaleiro de Clydebank (Escócia) pertencente à firma J. & G. Thompson. Apresentava-se como um navio de pequeno porte, com uma arqueação bruta de 1 059 toneladas, medindo 77 metros de comprimento por 10,70 metros de boca. O seu calado era de 4,50 metros. Estava equipado com 1 máquina a vapor, que lhe proporcionava uma velocidade de 19,5 nós. O seu primeiro armador foi (entre 1890 e 1929) a London and South Western Railway. Depois, teve mais seis outros proprietários-operadores, sendo o derradeiro deles (que o usou de 1929 a 1933) a companhia grega Hellenic Coast Lines, do Pireu; que lhe deu o nome de «Ierax» e que o utilizou em carreiras do continente para as ilhas dos arquipélagos mais chegados a Atenas. Quando foi lançado à água, o Lydia» estava preparado para receber 170 passageiros de 1ª classe, 70 de 2ª e um numero indeterminado de viajantes de porão. Este navio não tem incidentes de grande relevo no seu historial; a não ser o facto de -entre 1920 e 1922- ter sido destacado para assegurar uma linha entre a capital da Irlanda (Dublim) e a Grande-Bretanha e, antes disso, durante a Grande Guerra (em 1915), pelo facto de ter sido alvejado, com um torpedo, por um submersível alemão. Ataque ao qual o «Lydia» escapou ileso. Este navio foi desmantelado em 1933, muito provavelmente na Grécia.